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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Causo da Panificadora / Crônica do Cotidiano


Causo da Panificadora / Crônica do Cotidiano

     Com um pouco de frio, fui até a panificadora comprar pães. Aproveitei e pedi um café.
     Havia uma mesa com quatro moças. Uma delas contava e as outras ouviam. Era caso de espírito que se manifesta.
     Causo brasileiro é bom de ouvir e de contar.
     Ela contava a história de uma conhecida dela, cujo pai morava num sítio.
     Prestei atenção. A história não era de amiga ou parente, era de conhecida. Segue:
     _Encontrei com ela um dia desses, enquanto eu fazia um lanche na hora da pausa para o café. 
     "O pai dela tinha um sítio. Ele gostava imensamente do sítio e cultivava milho, feijão e algumas verduras e frutas. Era um homem muito generoso e o que sobrava da plantação, ele dividia com os parentes, os vizinhos e os amigos da cidade.
     Um dia ele ficou velho e, quando se envelhece, acontece de ficar doente e morrer. Foi o que aconteceu. O pai da minha conhecida, da qual não digo o nome, porque nem adianta dizer, nenhuma de vocês a conhece.
     Uma parente da minha conhecida passou a tomar conta do sítio porque não havia quem quisesse mudar para o sítio, mas ela quis.
     A minha conhecida ia sempre ao sítio visitar a parente dela que tomava conta do sítio. Ela conta que próximo a casa, havia uma árvore e, que debaixo da árvore, havia uma cadeira.
     A parente da minha conhecida nunca, mas nunca mesmo deixou que ninguém se sentasse naquela cadeira. Ela dizia que o fantasma do dono do sítio, seu parente, aparecia lá de vez em quando e puxava a cadeira como se fosse se sentar.
     A minha conhecida continuava a visitar a parente dela, mas começou a implicar com a história da cadeira. Toda vez que ia ao sítio, pedia para se sentar um pouco debaixo da árvore e a resposta era de que se sentar embaixo da árvore podia, mas na cadeira, não.
     Até que um dia, a parente da minha conhecida comprovou a história do fantasma.
     Era um domingo quando a minha conhecida foi ao sítio.
     A parente avisou logo de chegada que o fantasma estava no sítio naquele dia. Lembrou-se que o pai, aos domingos, tomava alguma bebida.
     A minha conhecida confirmou que se lembrava, mas o que é que aquilo tinha a ver com a história da cadeira.
     A parente da minha conhecida pegou uma garrafa de bebida e convidou a minha conhecida para acompanhá-la até a cadeira que ficava debaixo da árvore.
     A minha conhecida foi junto com a parente, que levava a garrafa junto com ela.
     Chegando até a cadeira que ficava debaixo da árvore, a parente da minha conhecida olhou bem para a cadeira e exclamou:_Abre a garrafa, pai!
     O que aconteceu? A rolha da garrafa pulou para fora da garrafa!
     A minha conhecida ficou com medo de ir lá e não foi mais visitar a parente dela."
     Aí a moça conclui que ainda havia gente ignorante nesse mundo que não acreditava em espírito.
     Acabou o café. Enquanto pago o café observo as outras três moças de olhar pasmo. Parecia que elas viam um fantasma.
     Hoje eu me convenci de que sou ignorante e pretendo continuar a sê-lo.

Um comentário:

dinapoetisadapaz disse...

Muito interessante sua crônica, bem criativa vc..
Meu abraço.
Se desejar conhecer meus outros blog:

http:simplicidadeempoesia.blogspot.com.br

http://aparaibaesuasbelezas.blogspot.combr

http://veioparaficar.blogspot.com.br