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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Acredite Se Quiser / Crônica do Cotidiano


Acredite Se Quiser / Crônica do Cotidiano

     Logo cedo saí para resolver compromissos diferenciados.
     Em meio aos meus compromissos diferenciados, acreditem se quiserem, encontrei uma senhora da Paraíba e o seu colega de trabalho, mexicano.
     Uma nova linha de panelas de aço chegou ao Brasil.
     A explicação sobre as panelas foi excelente:
     _Nós vendemos panelas de aço cirúrgico fabricado na Itália.
     Perguntei se a panela era italiana.
     _Não senhora, são jogos de panela fabricadas nos Estados Unidos e esse é o motivo do meu colega mexicano estar comigo.
     Eu disse que, no Brasil, nós temos ótimas panelas de aço e de marcas tradicionais.
     _Feitas com aço cirúrgico? Não temos. Respondeu a senhora da Paraíba.
     Resolvi usar de sinceridade:
     _Por que é que é necessário aço cirúrgico para cozinhar os alimentos?
     Por que foi que eu perguntei. Eu mereci a resposta:
     _Porque é mais saudável. Tudo que é cirúrgico é esterilizado e as panelas são esterilizadas.
     Depois dessa resposta, eu me calei.
     Ela se queixou do frio.
     Eu respondi que esse tempo de hoje não é frio e que o frio chega quando a temperatura que tivemos hoje pela manhã é a temperatura máxima do dia.
     _A senhora sabe como é que funcionam as nossas vendas?
     Eu disse que não.
     _Eu vou na casa das clientes e cozinho para elas. Como eu vendo panelas, eu tenho que cozinhar o almoço ou o jantar. Tudo o que a pessoa tem que fazer é comprar os ingredientes. Eu levo as panelas e faço a demonstração. Posso ir até a sua casa?
     Eu agradeci, mas disse que eu tenho boas panelas e que ela iria perder o tempo da demonstração das panelas na minha cozinha.
     Ela ficou aborrecida com a resposta.
     Parece que eles estão aqui em Curitiba para aumentarem a rede de vendedores de panelas de casa em casa.
     Eu perguntei a marca para pesquisar na internet e, as panelas existem e são mesmo fabricadas nos Estados Unidos. A propaganda garante que são feitas de aço cirúrgico italiano.
     Fiquei contente por ter tido que ir em outro bairro para resolver alguns compromissos.
     Alguma coisa no entanto, ficou no ar.
     De volta para casa, no Alto da Rua XV, perto de um Shopping Center, a senhora da Paraíba e o senhor mexicano atravessa a rua na frente do automóvel.
     Eles me viram, olharam e sorriram e, atravessaram a rua rapidamente.
     Contando que um compromisso diferenciado é oficina mecânica e que o orçamento do automóvel deles saiu enquanto eu recebia o meu, pergunto como foi que eles conseguiram me encontrar alguns quilômetros depois? E a pé?
     Fiquei em casa o resto do dia.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Por Favor


Por Favor

Um absurdo dito,
Se faz sentido,
Expressa a dor.

Mas comovido,
Vai ao infinito;
Diz por favor.

É um requisito

Confortador.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O Jogo do Copo / Conto de Horror

O Jogo do Copo

     Um grupo de senhoras idosas se reuniu e, como parte da tarde festiva, organizava-se brincadeiras diversas para que, além dos doces e salgados, as senhoras dessem boas risadas.
     Filomena, uma das senhoras, disse que ela gostaria de fazer a brincadeira do copo, aquela brincadeira em que todos os presentes seguram o copo para ver se acontece algo fantástico, ou seja, uma frase, alguém que receba espíritos e possa assustar os presentes. Filomena gostava de brincar de susto e naquela roda de amigas, gostava-se de um farto lanche, versos, canções e contar das suas próprias vidas.
     Dora, outra das senhoras presentes, disse que não gostava da brincadeira do copo, mas que as outras, se quisessem, que participassem do jogo.
     Filomena perguntou o que Dora iria fazer enquanto as outras jogassem e Dora disse que ficaria exatamente ali, ao lado de um prato de salgadinhos e doces, tomando conta deles para que não sumissem todos.
     Numa mesa redonda o copo foi colocado e todas as mulheres fecharam os olhos e seguraram o copo com as mãos sobrepostas.
     Filomena entrou em transe e as perguntas ao suposto espírito começaram.
     Filomena, em transe,com a voz afetada, disse:
     _Eu preciso que contem a minha história.
     As mulheres perguntaram qual era o nome pelo que o espírito se chamava quando estava vivo.
     _Elizabeth Junqueira.
     Dora, que observava do sofá, com um salgadinho nas mãos disse que aquele jogo era uma estupidez e sempre acabava mal.
     As senhoras olhavam assustadas umas às outras e concordavam com Dora.
     Dora continuou a reclamar:
     _Essa tarde que era para ser agradável, agora será para lembrarmos da moça que morreu aos vinte e dois anos, em um ano, com uma gripe que virou pneumonia.
     A partir do comentário as outras senhoras se manifestaram e começaram a dizer o que sabiam de Elizabeth Junqueira.
     _Jovem e séria, teve um único namorado e com ele se casou.
     A roda começou e vieram outros assuntos sobre a moça, com breves relatos sobre ela.
     _As moças do colégio onde ela estudou, sabendo que ela não gostava de visitas, mandaram uma pessoa na casa dela para visitá-la com as perguntas encomendadas no colégio e esquadrinharam a residência e souberam que ela estava feliz.
     _Por isso mesmo esperavam os dias de cansaço e a apanhavam de surpresa. Eram moças que levavam convites de aniversário e tinham muita pressa e a visitavam fora do horário de visitas.
     _Parece que as moças viram a cama por fazer e a louça do jantar ainda na pia.
     _A cidade inteira começou a chamar a Elizabeth de "porca".
     _Ela não está sendo mal educada. A grosseria contra a moça corria na cidade inteira. A Amelinha, na escola, ouviu um grupo de pessoas dizendo que ela era relaxada. Foi perguntada se a conhecia e ela disse que sim, mas que era moça mais velha e que não era amiga de visitar.
     _Dizem que ela ficou anoréxica. Parece que o marido gostava de sentir os ossos do ilíaco quando a abraçava, e para satisfazer o marido, ela ficou sem barriga.
     _Era professora, mas com esses comentários nenhuma escola a queria.
     _Eu bem que quis visitá-la quando ela ficou doente, mas disseram que tudo que eu iria presenciar era vômito. No mais disseram que ela estava pálida e cansada. Obedeci porque não quis incomodar a moça.
     _Essa história é esquisita porque ela não contrariava os interesses de ninguém, nem a favor nem contra.
     _Ela não era o que chamam de pessoa articulada, politizada ou engajada. Ela era uma moça comum, bem criada e educada.
     _O que terá sido aquilo de toda a cidade falar mal da moça?
     _Um dia eu fiquei zangada com o falatório e mandei que cada um tomasse conta da própria vida. Não adiantou nada, mas que eu falei, falei.
     _Será que ela soube o que diziam dela?
     _Isso é coisa que não se sabe.
     _Barbaridade: porca, relaxada e preguiçosa com apenas vinte e dois anos de idade.
     _Quase ninguém foi ao enterro dela, eu também não fui avisada.
     _Disseram que era morte esperada e que, embora triste, ninguém ficou surpreso.
     _Vinte e dois anos de idade e a cidade dava como certo o fim dela, mas com pneumonia?
     Dora concluiu:
     _Acho que foi disso que ela morreu.
     Filomena sentiu-se aborrecida por ter estragado a tarde com as amigas e disse:
     _Eu também acho que foi disso que a Elizabeth morreu.
     Dora olhou para a Filomena e pediu que entrassem em orações e pedissem desculpas pelo jogo do copo.
     Todas as senhoras começaram a orar.
      

terça-feira, 25 de abril de 2017

Que Deus Cuida de Nós


Que Deus Cuida de Nós

Minh'alma está antiga,
Com muita paciência,
Sem reserva e anuência
Musicada e amiga

Da velha cantiga,
Uma preferência
Vinda da inferência
Sabida, a que obriga

O saber da liga
Em tom de obediência
A alguma experiência;
Que Deus me bendiga.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Abstração


Abstração

Poema é qualquer cousa
Que se mexe no ar,
Faz vibrar a lousa
Numa ideia a vagar

No instante em que pousa
Com alma e lugar,
Abstraindo a quem se ousa
Nele caminhar.

domingo, 23 de abril de 2017

Organograma


Deus

                                                                              Você

                                                                         Casa   Igreja
                       
                                                            Princípios            Fé

                                  Convivência em Sociedade e Organização Social

     Pergunta-se: de que adianta um organograma se, encontra-se em meio à humanidade meia dúzia de, perdoem-me a palavra "psicopatas"  que pensam serem os donos do mundo.
     Sim, porque a humanidade encontra-se estarrecida com o que está acontecendo e, o problema, é que esses "donos do mundo" somente aceitam seguidores e bajuladores.
     Os demais calam a boca; é uma questão de prudência.
     Assiste-se ao seguinte cardápio, bem bolado por sinal, como se fosse um organograma:

       a)ARROZ     FEIJOADA     LASANHA     COUVE COM TOUCINHO
     
       b)ARROZ     FEIJÃO     RISOTO DE BRÓCOLIS     BATATA ASSADA COM QUEIJO

     Os donos do mundo e os seus seguidores e bajuladores estão comendo o cardápio da opção "a".

     Os normais e demais estão comendo o cardápio da opção "b".

     Se é uma opção, é uma escolha.
     
     É preciso dizer que não tarda e a humanidade se verá em apuros?

     Enquanto passamos bem com o risoto de brócolis e as batatas assadas com queijo, ou, de outra maneira, arros, feijão e batatas com queijo, há quem garanta que o feijão não é bom sem a carne de porco e a couve não se engole sem o toucinho. Por outro lado, dizem que a lasanha exige um presunto e o arroz com cheiro verde elimina todos os males da alimentação.
     Diga-se que o organograma do cardápio alimentar é melhor aceito do que o organograma conservador, que está no início da postagem.
     A inteligência, por sua vez, serve as duas opções, pendendo para o lado dela mesma. Nenhuma inteligência se arrisca a ser emotiva. Mas respeita as escolhas de cada um, e, ao respeitar as escolhas de cada um não admite imposições de parte a parte.
     Observando esse quadro, percebe-se que as negociações serão necessárias.
     O texto é simbólico e sem conotações físicas, atentem para esta frase que acompanha a postagem. 
         

        

sábado, 22 de abril de 2017

Devaneio


Devaneio


Um brilho perolado
Surge nesse lugar
Sentimentalizado
De suave bem-estar.

Esse dia a dia agitado,
Que não para a pensar
Sobre o supracitado
Que a vida está a observar.

Nesse tom recém-criado
Constante a iluminar,
A esperança está ao lado,
Mas está a devanear.